Light, uma categoria de primeira...Porque se passar a segunda marcha,
acontece acidente e tem YF. Essa foi a impressão deixada pelos pilotos
– boa parte deles – participantes da corrida no quadrioval de
Indianápolis, na abertura da temporada S2/2006, nos telespectadores,
chefes de equipe e de quem mais acompanhou a prova de ontem.
Mas
qual seria o motivo para isso?
De uma categoria que terminou a
temporada passada com o menor índice de incidentes e bandeiras amarelas
dos últimos anos na LBN, esperava-se muito mais. Afinal de contas, a
maioria dos pilotos havia corrido na temporada passada. O que
aconteceu? Culpa dos novatos que participaram? Da pista? Dos setups
livres? Essas perguntas dançam na frente de todos. Mas a resposta é
óbvia: culpa dos próprios pilotos.
Parece que, ano vai, ano vem, o
gerente da categoria, Ricardo “Dog” Vizibelli se torna cada vez mais um
“chato”, que fica repetindo para todos terem “cuidado, não forçar com
pneus frios na primeira volta, ter paciência”. Mas os pilotos
parecem fazer ouvidos de mercador. E só querem acelerar e ganhar as
corridas. Parecem não se preocupar em levar 30 ou mais pontos de
punição numa só corrida. Do jeito que a coisa vai, lá pela quarta prova
teremos alguns suspensos de corridas... Foram oito YFs em 64 voltas
– na média, uma a cada oito voltas. Descontando que cada YF gera quatro
voltas em ritmo lento, temos que metade da corrida foi em procissão. Um
índice muito alto. Ainda mais se levarmos em conta que seis das YFs
aconteceram antes da metade da corrida.
A corrida
Mas
nem só acontecimentos ruins marcaram a prova. Depois de mais de 30 dias
de férias, alguns pilotos voltaram com vontade de mostrar serviço.
Eduardo Tomedi (Naja Motorsports) chegou à pista distribuindo
boas-noites e biscoitos de chocolate para todo mundo. Adriano Augusto
(CTR) – há três anos afastado das pistas – falou que ia usar toda a
paciência conquistada no Japão para se dar bem na corrida. Os pilotos
novatos chegaram meio desconfiados. Alguns deles até perguntando aos
mais velhos se, largando em último, conseguiriam escapar de acidentes
na T1.
No Practice, muita gente testando setups. Acidentes
acontecem e Nuno Moraes (Bob Team) e Milton Saavedra (GTR) quase saem
no tapa na South Shute. Nuno havia sido atingido por seu colega de
equipe, Ronny Lira, na pista de rodagem e foi parar na pista. Milton
veio acelerando e bateu. Depois de muita zoação no chat aberto os dois
pilotos levaram os carros nas costas para o pit e tudo ficou bem.
Veio o qualify e Alexandre Velecico (CTR) comandou o show e vira
48s125. Renato Serra (BTD) faz o segundo tempo, 63 milésimos atrás. Mas
sente na nuca o bafo quente de Luciano Dewes (Jaguar), que fica a
apenas quatro milésimos do piloto carioca. Warm Up é coisa de quem
não tem nada para fazer no banheiro antes da corrida. O povo está mais
interessado na corrida e lá vamos nós. Duas largadas falsas. E os 26
pilotos partem para a verdadeira. E logo, logo eles fazem o diretor de
prova trabalhar e mostrar a YF. Recebem pelos fones reclamações do
piloto do Pace Car, que tinha começado a fazer um lanche naquele
momento. Mas não tem jeito, vamos lá para quatro voltas na casa de 70
mph. Nem parecia corrida da Nascar, e sim procissão do Padim Ciço... Nas
pace laps, muitos pilotos com dificuldades de para se colocar no lugar
certo na fila, fazer Stagger the Pace e não fazer jump start. Alguns
freavam do nada, quase provocando acidentes sérios. Depois de
escapar de dois acidentes Adriano Augusto desistiu da corrida, ao ser
acertado pelo menos outras duas vezes nos demais incidentes. Do jeito que
estava não tinha paciência chinesa (a dele era japonesa) que
resistisse.
No fim, quem teve paciência foi premiado. Depois de ver
Velecico largar e liderar boa parte da prova, ver Serra andar mais rápido,
o piloto brasileiro com nome grego, que mora no USA e não consta na
lista de pilotos da categoria no site da LBN – aff, que mistura doida –
Nicko Papalexiou (GTR) abocanhou a vitória, que caiu de bandeja no seu
colo. Velecico e Serra se envolveram no acidente que gerou a última YF
da prova e deixaram a vitória escapar por entre os dedos. Dizem as más
línguas que o Serra foi quem bateu, ao jogar beijinhos pela janela do
carro para um tal de Balaio, que estava assistindo a corrida nos pits
do carioca. Bom, é isso aí. Daqui há quinze dias, os pilotos se
encontram de novo na tradicional pista de Watkins Glen. Tomara que mais
cuidadosos, mais conscientes e pacientes. Enquanto isso, as disputas
continuam. Dessa vez nos tópicos de protestos e recursos do Fórum 2...
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