Objeto de profunda reestruturação, a Arca talvez tenha sido, dentre todas as categorias da LBN, a que mais sofreu mudanças para a
S2 2007. Desde o “mod” (cup), passando pelo “setup” (livre), até a duração das corridas (40%), tudo foi reconfigurado em prol da competitividade e da preparação dos pilotos para novos desafios. Esta foi, sem dúvida, a melhor fórmula encontrada pelos Diretores para deixar a categoria ainda mais atrativa.
Bólidos bem ajustados, pilotos bem treinados e mecânicos exaustos, todos se
prepararam com afinco para Indianapolis. Tudo conspirava a favor para uma grande estréia, em grande estilo. Bem, quase tudo...
Antes da largada alguns pilotos já alertavam sobre as condições da pista que não estavam boas. Os carros se comportavam de maneira estranha. Várias equipes chegaram a sugerir, então, a inclusão de
YF durante o evento, a fim de evitar problemas e garantir a segurança do espetáculo.
O pedido não foi aceito. Coerente com a proposta inicial, a Direção de prova manteve a configuração original. Mas não imaginava que o inesperado pudesse acontecer. E ele aconteceu...
No qualy, tudo normal. A disputa pela melhor volta foi bastante acirrada, com os três primeiros separados por apenas 0.080 milésimos de segundo. A. Xavier fez a pole com o tempo de 48.089s. T. Mello, piloto da Greenflag, roubou a segunda posição de C. Dytz, e P. Pin fechou a segunda fila para a Jaguar. Na terceira fila largaram C. Martino e J. Foitte.
A largada foi bastante emocionante. Numa manobra arrojada, Dytz tomou o
segundo posto na curva 1 e partiu para o ataque a Xavier. Duas voltas depois, o pole não agüentou a pressão, Dytz saiu “vacado” da curva 4 e no final da reta principal colocou por dentro para assumir a liderança. Os dois pilotos, notoriamente os mais rápidos do dia, deveriam protagonizar a tão aguardada disputa pela vitória.
A partir daí, primeiro e segundo colocados começaram a abrir distância do pelotão formado por P. Pin em terceiro, C. Mello (vice-campeão da Asa) em quarto e J. Foitte em quinto. C. Martino e T. Mello acabaram se envolvendo em acidente e caíram para as últimas posições.
A corrida seguiu normalmente até a volta 18, com belas disputas sendo travadas no pelotão intermediário. Destaque para C. Mello e J. Foitte que deram um show a parte. Após o acidente com P. Pin, os dois iniciaram uma disputa sensacional pela terceira posição, com direito a door-to-door no final da reta oposta. Na volta 11, Foitte deu o troco em Mello e assumiu a posição que mais tarde lhe garantiria o segundo lugar mais alto no pódio.
Mas nem tudo estava perfeito. E na volta 19, inexplicavelmente, onze dos vinte um carros que alinharam no grid começaram a apresentar problemas de aderência. Sem a mínima condição de segurança, e com o desempenho totalmente comprometido, os pilotos foram obrigados a uma parada a mais nos boxes, entre eles o Monte Carlo #111 de A. Xavier. Com isso, todos perderam volta em relação ao líder.
Dytz, que nada tinha a ver com isso, sobrou na pista. Na metade da prova, após a parada normal para reabastecimento, a classificação apresentava o Monte Carlo #79 com 34 segundos de vantagem para o segundo colocado. Estava livre o caminho para a vitória.
Depois de 64 voltas, com sorte e competência para atacar no momento certo, Dytz
cruzou a linha de chegada em primeiro, sem dar chances aos demais competidores. O piloto da Jaguar também recebeu o bônus pelo maior número de voltas na liderança. J. Foitte, novato da equipe CTR, garantiu a segunda colocação com uma tocada limpa e sem erros. A. Xavier, após uma bela corrida de recuperação, garantiu o pódio ultrapassando R. Araújo na última volta. R. Kuhnen (o “Bavaria Kid”) completou o top 5.
Com a palavra, o grande vencedor: “Não sou muito bom em
qualify, meu ritmo vem durante a corrida e parti para cima do Xavier e do Mello logo no início... Consegui ultrapassá-los e fiquei mantendo a diferença em 0.5/0.6 até que ele (Xavier) parou com problemas; nisto estávamos bem distantes do terceiro colocado. Foi uma corrida atípica, vamos pra Glen ver o que acontece...”
Depois da corrida a polêmica prosseguiu. O embate entre os pilotos e as equipes foi transportado da pista para os bastidores. Aqueles prejudicados pediam a sua anulação, baseados no fato de que mais da metade dos carros apresentaram o enigmático problema.
Novamente a decisão ficou nas mãos da Direção de prova, e o resultado final só foi confirmado horas depois, com base no artigo 2.11 do regulamento que declara válida a corrida se completadas mais de 70% das voltas previstas.
Eder Taffarel, gerente da categoria, em entrevista exclusiva afirmou que: “A decisão não foi tomada apenas pela Gerência. O caso foi levado ao conhecimento de toda a Diretoria, e levando-se em consideração os fatos ocorridos no dia e o Regulamento da LBN, chegamos à decisão de manter o resultado. Primeiro, porque a corrida não foi interrompida, ela terminou com 100% da voltas completadas. E segundo, os pilotos puderam voltar e continuar a corrida terminando-a, inclusive pontuaram normalmente. Não tem por que anular uma corrida completa onde todos pontuaram. Na vida real pneus furam, carros quebram, um maluco pelado entra no meio da pista... Acontece.”
Apesar dos ânimos exaltados, a decisão acabou sendo acatada por todos. A categoria segue agora para Watkins Glen International, onde os treinos já comem soltos. Único circuito misto desta temporada, Glen – como é carinhosamente chamado – desafia ao extremo a habilidade dos pilotos. A corrida terá cobertura total da LBN News. Até lá!