Segue abaixo uma notícia do New York Times, feita por Viv Bernstein. A notícia aborda vários aspectos dos simuladores e sua influência no desempenho dos pilotos que os utilizam como técnica de aprendizagem.
Na primeira vez que Regan Smith correu no Autódromo Hermanos Rodríguez, o circuito da Cidade do México que sediou hoje a corrida da Busch Series (categoria de acesso da Nascar), ele já conhecia cada curva e cada bump do traçado de 2,5 milhas. Ele sabia a linha que queria seguir, onde trocar as marchas e quando acelerar antes mesmo da primeira volta dos treinos.
Como ele sabia? Ele já tinha corrido numa réplica exata da pista em um videogame. Mas para Smith não era apenas um jogo. Piloto estreante da Nextel Cup que dividirá com Mark Martin o Chevrolet número 01 nessa temporada, Smith é um dos vários jovens competidores que está se focando em simuladores para treinar e se preparar para corridas reais.

"Todo mundo está fazendo o máximo que pode para ser o melhor", afirmou Smith no seu escritório em Cornelius, North Carolina, EUA, antes da temporada. "Se isso te ajudar apenas na primeira volta na pista, vai te proporcionar mais cinco voltas de treino que você não vai desperdiçar tentando descobrir até que limite pode pilotar ou algo assim. Cada mínimo detalhe conta. A coisa é tão competitiva agora que essas cinco voltas extra de treino podem ser a diferença entre se classificar em 35º ou em 10º."
Alguns pilotos dos mais famosos da Nascar participam no "simracing", como é a chamado, incluindo Dale Earnhardt Jr., Carl Edwards, Denny Hamlin, Martin Truex Jr., Reed Sorenson, David Gilliland e A. J. Allmendinger.
"Eu ainda uso [simuladores] nas pistas em que não me sinto confortável, especificamente os circuitos mistos," disse Edwards, que terminou empatado em segundo atrás de Tony Stewart o campeonato de 2005.
Hamlin, que terminou em terceiro na temporada passada e foi o melhor "Rookie" da temporada, considerou as corridas virtuais uma das razões que levou à sua primeira vitória, em Pocono, julho passado. Habilidade e um carro bem acertado também contribuiram. Mesmo assim, Hamlin nunca tinha estado em Pocono até chegar para os treinos, só conhecendo a pista pela réplica no computador.
"Obviamente, isso o ajudou e ele deu bastante crédito a isso", comentou Mike Ford, chefe da equipe de Hamlin. "Eu também gosto de videogames. Acho que a melhor coisa nos videogames é que você aprende a ter paciência, já que nos videogames se entra em apuros muito mais rápido que numa corrida real."
Mas uma batida virtual não custa nem perto de um acidente na corrida real.
"A coisa que nunca vai mudar é que quando você bate num jogo, aperta "escape" e começa de novo," disse Allmendinger. "Eu já tentei isso várias vezes num carro da Nascar. Você não tem a chance de recomeçar, e a equipe te faz ter certeza disso."
Hoje em dia, Hamlin usa os simuladores principalmente para diversão. Há campeonatos online de simuladores em que pilotos como Earnhardt, Hamlin e Truex competem. Earnhardt fundou um campeonato só para convidados.
Muitos pilotos têm equipamentos de simulação sofisticados que custam milhares de dólares e são desenhados para espelhar as sensações de um carro de corrida real. O cockpit do escritório de Smith é cercado por uma estrutura de metal. Ela contém um assento de carro que fica logo em frente a um monitor tela-plana de 42 polegadas. O volante entra e sai como num carro de corridas real. O cockpit também tem uma alavanca de marcha, acelerador, freio e embreagem que podem ter sua tensão ajustada para imitar o carro de Smith.

Essa estrutura de alto nível foi alcançada pela unidade produzida pela Bugeye Technologies, uma companhia situada em Pacific, Missouri, EUA que também constrói simuladores de vôo. Os cockpits da Bugeye usam uma tela em três partes que oferece uma visão tridimensional em 90 graus. O modelo profissional custa 9.000 dólares. Sorenson comprou um Bugeye antes da temporada, Earnhardt afirmou ter um sob empréstimo.
Ryan Johnston, presidente e CEO da Champion Motorsports Marketing, disse que pilotos profissionais das categorias de base e os que estão fazendo a transição de outros tipos de carros para a Nascar têm mostrado interesse na Bugeye. Sua companhia comercializa a unidade para qualquer piloto interessado.
Não importa o quanto seja sofisticado o equipamento, todos concordam que há somente um programa de computador realista o suficiente para usar como treino para corridas reais. O jogo Nascar Racing 2003 da Papyrus tem todas as pistas usadas naquela temporada e permite aos jogadores fazer ajustes detalhados de pressão de pneus, cambagem, molas e amortecedores. O programa simula vários aspectos reais como desgaste de pneus e a direção do carro saindo de frente ou de traseira.
A edição de 2003 pode também ser atualizada com modificações encontradas em vários sites. Smith disse que baixou da internet a pista da Cidade do México, e então deu algumas centenas de voltas antes da sua primeira corrida lá em 2006.
"Aquilo me ajudou muito," disse Smith. "Eu estava confortável desde a primeira volta na pista."
Infelizmente para pilotos de simuladores, o jogo não é mais produzido. É mercadoria rara no eBay, onde uma cópia usada do Nascar Racing 2003 estava sendo oferecida sexta-feira por 170 dólares. Outros jogos de corrida do ano de 2003 estavam sendo vendidos por menos de 10.
Os pilotos da Nascar não são os únicos que querem se aperfeiçoar com o software.
Eu me arrisco em dizer que há pessoas por aí que nunca pilotaram carros de corridas, mas são tão bons nesses jogos que podem sentar num carro de verdade e ser rápidos", disse Edwards. "Não é um esporte como basquete, futebol ou algo assim. Você só tem certos comandos. Você senta no banco e gira um volante, aperta uns pedais e tem o retorno visual."
Então isso significa que os simuladores podem algum dia produzir a próxima geração de pilotos? Talvez não. Smith afirmou que nada se aproxima da sensação de dirigir um carro em uma pista de corridas.
Ainda não.
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